"Jacó chegou-se a Isaque, seu pai, que o apalpou e disse: A voz é de Jacó, porém as mãos são de Esaú."
Gênesis 27.22Irmãos, a Bíblia não esconde de nós a condição em que nos encontramos depois da queda. Não há maquiagem nas páginas das Escrituras. Ela não suaviza o diagnóstico para que o paciente se sinta melhor. Ela diz, com toda a clareza, que o pecado entrou na natureza humana e contaminou tudo o que somos e tudo o que existe ao nosso redor.
E eu te digo uma coisa: não há como entender o desajuste da humanidade, essa insatisfação crônica que a gente vê em todo lugar, sem essa informação bíblica. Sem isso, o mundo não faz sentido. Sem isso, o coração humano vira um enigma.
Quem conhece a Palavra de Deus sabe que não existe a mínima possibilidade de a humanidade ser restaurada, a não ser pela obra de redenção que o próprio Deus determinou. E essa obra tem um nome. Ela se chama Cristo.
Filósofos tentam propor caminhos. Cientistas tentam. Empresários tentam. Políticos tentam. Cada um com seu projeto para consertar o homem. Mas a Bíblia é implacável: "se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco" (Mateus 15.14). Todo projeto humano de salvação é um cego liderando outro cego. E todos terminam no mesmo barranco.
A maior necessidade que você tem na vida é algo que só Deus pode te dar. O problema é este: nem eu nem você temos condição de obter, por nós mesmos ou por nosso comportamento, o favor de Deus que perdemos na queda. Essa é a má notícia que precisa ser ouvida antes da boa notícia ser compreendida.
E poucos personagens bíblicos ajudam a gente a entender isso como Jacó.
O nome dele já é um sermão. Jacó significa, em hebraico, aquele que pega pelo calcanhar, o suplantador, o enganador. Em português a gente traduziria simplesmente como ladrão. O nome dele é a condição dele. E o nome dele, meus irmãos, é também a nossa condição.
Eu e você chegamos a este mundo como usurpadores. Como ladrões. A gente usa o que não é nosso como se fosse. O ar que você respira agora não é seu. O chão onde você pisa não é seu. A família que você tem, os alimentos que você come, o batimento cardíaco que está pulsando neste segundo dentro do seu peito — nada disso é seu. Tudo é d'Ele. Tudo é de Deus. E nós, criaturas caídas, pegamos essas dádivas e as tratamos como se fossem conquistas nossas.
E aí vem a pior parte: mesmo cercados de bênçãos que não nos pertencem, somos seres insatisfeitos por natureza. Não ficamos contentes com nada. Em algumas horas, às vezes em minutos, alguém ou alguma coisa perde o valor para a gente, e já estamos querendo outra coisa, outra pessoa, outra experiência. Ladrões insatisfeitos. Essa é a nossa condição.
Agora olhem para a cena em Gênesis 27.
Isaque está velho. A visão se foi. Ele sente que a morte se aproxima e decide abençoar Esaú, o filho primogênito, aquele que merecia a bênção pela ordem natural. Pede a ele que saia, cace um animal, prepare um guisado saboroso, e traga para que ele abençoe o filho antes de morrer.
Rebeca ouve tudo. E como boa mãe humana, caída como todos nós, em vez de confiar na promessa que Deus já havia feito sobre os dois meninos ("o mais velho servirá ao mais moço", Gênesis 25.23), ela decide tomar o assunto nas próprias mãos. Chama Jacó. Arma o esquema. Prepara o guisado. Pega as roupas de Esaú. Reveste os braços lisos de Jacó com pele de cabrito para imitar os braços peludos do irmão.
E manda Jacó, o caçula, entrar na tenda do pai cego, disfarçado de Esaú, para roubar a bênção que não era dele.
"Jacó chegou-se a Isaque, seu pai, que o apalpou e disse: A voz é de Jacó, porém as mãos são de Esaú."
Gênesis 27.22
Preste atenção nesta cena, porque ela é uma parábola de toda a humanidade caída diante de Deus. Um homem vem enganado por dentro e disfarçado por fora. A voz e as mãos não combinam. O interior e o exterior não batem. E mesmo assim, por causa da limitação dos sentidos de Isaque, o engano dá certo. O pai é enganado. A bênção é roubada. Jacó sai dali vitorioso, com as mãos na bênção que não era sua.
E eu quero te perguntar uma coisa: quantas vezes na sua vida você já se sentiu como Jacó saindo daquela tenda? Vitorioso. Com o que queria nas mãos. Achando que foi mais esperto. Achando que conseguiu.
Pode ter sido no trabalho, quando você manipulou uma situação para conseguir uma promoção que devia ser do colega. Pode ter sido no casamento, quando você conquistou quem você queria usando artifícios que não eram honestos. Pode ter sido em casa, quando você manipulou pai, mãe, marido, esposa, filhos, para conseguir um dinheiro, uma autorização, um silêncio. Pode ter sido até na igreja, onde você se apresenta com uma voz de santidade que não corresponde às mãos que ninguém vê.
Você ganhou. Como Jacó ganhou. E provavelmente saiu da situação achando que foi mais esperto que todo mundo. Achando que Deus te ajudou. Achando que a sua vitória era prova de que você estava certo.
Mas agora eu preciso te mostrar o que a Bíblia mostra depois da tenda de Isaque. Porque a narrativa não para ali. E o que vem depois é devastador.
A primeira coisa que acontece depois da bênção roubada é que Esaú descobre a fraude e resolve matar Jacó.
"Esaú passou a odiar a Jacó por causa da bênção com que seu pai o tinha abençoado; e disse consigo mesmo: chegam-se os dias de luto por meu pai, então, matarei a Jacó."
Gênesis 27.41
Jacó ganhou a bênção e perdeu o irmão.
A segunda coisa que acontece é que Rebeca, para salvar a vida do filho querido, precisa mandá-lo embora. Manda Jacó fugir para a casa de seu irmão Labão, na Mesopotâmia. Rebeca despede Jacó achando que será por pouco tempo. Mas não o vê nunca mais. Jacó passou cerca de vinte anos fora. Quando voltou, Rebeca já tinha morrido. Mãe e filho nunca mais se viram nesta terra.
Jacó ganhou a bênção e perdeu a mãe.
A terceira coisa que acontece é que Jacó fica anos longe do pai. Quando finalmente volta para a terra prometida e se encontra com Isaque, o velho patriarca está prestes a morrer. Os últimos anos do pai, que deveriam ter sido anos de convivência e herança espiritual, foram anos de ausência.
Jacó ganhou a bênção e perdeu o convívio com o pai.
Vocês estão vendo? A astúcia funcionou. A mentira deu certo. A bênção veio. Mas o engano cobra em relações o que entrega em resultados. É sempre assim. Sem exceção. Você pode enganar para conseguir o que quer, e até vai conseguir em alguns casos, mas não existe almoço grátis no Reino de Deus. O que você ganha pela mentira, você paga com o que você ama.
Eu já vi isto centenas de vezes em quase três décadas de ministério. Homem que ganhou dinheiro por meios tortos e perdeu a esposa. Mulher que conseguiu o marido por manipulação e perdeu a filha. Filho que manipulou a herança e perdeu os irmãos. Pastor que manipulou uma igreja e perdeu a consciência. Todos eles, na hora de prestar contas, estão com a bênção nas mãos e com o coração vazio. Ganharam o que queriam. Mas perderam o que não sabiam que valia mais.
Mas agora eu preciso fazer você parar. Porque a história da tenda de Isaque só tem sentido pleno quando você a vê diante de outro cenário: o cenário da santidade de Deus.
Jacó pensou que enganou o pai. E enganou. Isaque estava velho, a vista tinha ido embora, os sentidos falharam, e a fraude passou. Mas escute o que eu vou dizer: Jacó não enganou a Deus. Nem por um segundo. Deus estava ali, dentro daquela tenda, vendo cada gesto, ouvindo cada palavra. Deus sabia que a voz era de Jacó e que as mãos eram disfarce. Deus sabia que a pele de cabrito estava sobre braços lisos. Deus viu tudo.
E é isto, meu irmão, que precisa descer sobre o seu coração hoje: Deus não é Isaque. Deus não tem a vista cansada. Deus não tem sentidos falhos. Deus não pode ser enganado. Deus tem olhos de fogo, a Bíblia diz (Apocalipse 1.14), e esses olhos atravessam toda pele de cabrito que você já colocou sobre os seus braços.
"Manifesto é o caminho do homem diante do Senhor." — Provérbios 5.21
"Os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons." — Provérbios 15.3
A Lei de Deus, meu irmão, é um espelho. Ela não foi dada para você se sentir melhor. Ela foi dada para você se ver do jeito que realmente é. Ela te despe. Ela rasga o disfarce. Ela derrete a pele de cabrito que você colocou sobre os seus braços. Ela te deixa, onde Jacó estava, de pé diante de um Deus que tudo sabe, que tudo vê, que tudo pesa.
E é por isso que o evangelho só faz sentido depois da Lei. Quem nunca sentiu o peso da Lei não sente a doçura da graça. Quem nunca tremeu diante da santidade de Deus não chora de alegria no Calvário. Quem acha que Deus é como Isaque, fácil de enganar, nunca vai entender por que precisamos de Cristo.
Agora, volte comigo à história de Jacó. Porque a história não termina na tenda. Ela termina num lugar chamado Jaboque.
Gênesis 32. Jacó, depois de vinte anos fora, está voltando para a terra prometida. Recebeu bênçãos. Ficou rico. Humanamente falando, Jacó é um homem bem-sucedido. A bênção de Isaque se cumpriu.
Mas tem um detalhe na história de Jacó que eu quero que você perceba. Durante esses vinte anos, ele usou tudo de Deus, mas nunca desfrutou da paternidade de Deus. Ele nunca chamou Deus de Pai. Em toda essa jornada, Deus foi, para Jacó, mais um patrão do que um Pai. Mais um distribuidor de bênçãos do que uma face querida.
Jacó tinha as bênçãos. Jacó não tinha o Pai.
E aí, na noite antes de reencontrar Esaú, Jacó atravessa o vau de Jaboque. E fica sozinho. E o texto sagrado nos dá uma das cenas mais estranhas e mais profundas de toda a Escritura:
"Então lutou com ele um homem até ao romper do dia."
Gênesis 32.24
A tradição cristã, iluminada por Oseias 12.3-4, reconhece ali uma teofania — uma aparição do próprio Deus, provavelmente a segunda pessoa da Trindade antes da encarnação. Deus veio pessoalmente lutar com Jacó.
"Vendo este que não podia com ele, tocou-lhe a articulação da coxa, e se deslocou a junta da coxa de Jacó, enquanto lutava com ele."
Gênesis 32.25
Deus toca Jacó na coxa. Deus machuca Jacó. Deus quebra Jacó. E Jacó, que até aquele momento dependia da astúcia, dos próprios braços, da própria esperteza, descobre-se incapaz. Descobre-se pequeno. Descobre-se quebrado.
E aí Jacó faz a única coisa que um homem pode fazer quando é quebrado por Deus: ele se agarra. "Não te deixarei ir se me não abençoares." Não é mais o Jacó da tenda, enganando. É um Jacó diferente, agarrado. Um Jacó que agora tem a coxa deslocada, que agora manqueja, que agora não pode mais correr da vida por astúcia.
E Deus faz uma pergunta: "Como é o teu nome?"
Deus não está perguntando informação. Deus está exigindo confissão. É como se dissesse: "Diga para mim, com a tua própria boca, quem tu és. Reconheça a tua natureza." E Jacó responde: "Jacó." É como se ele dissesse: "Meu nome é Enganador. Meu nome é Ladrão. Meu nome é Usurpador."
Foi preciso Deus quebrar a coxa de Jacó para que Jacó, enfim, confessasse quem era. Não houve arrependimento enquanto tudo corria bem. Foi preciso a luta, a dor, a deslocação da articulação, para que Jacó dissesse em voz alta: "Eu sou Jacó."
E então, e só então, Deus muda o nome dele.
"Não te chamarás mais Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste."
Gênesis 32.28
Jaboque, meus irmãos, é onde Jacó sente, enfim, o peso da santidade de Deus sobre a própria carne. É ali que ele descobre, tremendo, que nunca enganou Deus, que Deus sempre soube quem ele era, e que mesmo sabendo, Deus veio pessoalmente lutar com ele não para destruí-lo, mas para transformá-lo.
A bênção recebida na tenda por astúcia precisou ser confirmada no vau por rendição. E até ali, Jacó apenas usufruía de Deus. Em Jaboque, Jacó, enfim, encontrou o Pai.
Agora eu preciso dirigir uma palavra a algumas pessoas que estão me escutando.
Aos que estão aqui vivendo uma vida em que conseguiram o que queriam por astúcia. Vocês manipularam para chegar onde estão. Conseguiram o emprego, o dinheiro, o casamento, a posição. E por fora, a vida parece boa. Mas por dentro vocês sabem que há uma conta não paga. Escutem: a astúcia cobra em relações. Olhem em volta. Vocês ainda têm as pessoas que tinham antes de começar a manipular? Ou estão ricos e sozinhos? Venham a Jaboque. É no toque da coxa que a alma encontra descanso.
Aos que estão numa briga de família antiga, onde a bênção de um custou o coração do outro. Irmão que não fala com irmão há anos. Filho que não fala com pai. Mãe ressentida com filha. Vocês têm um Esaú guardado no peito, e esse Esaú não vai embora enquanto vocês não forem a Jaboque. Não existe reconciliação humana profunda sem reconciliação vertical primeiro. Subam primeiro ao vau. Deixem Deus deslocar a sua coxa. Depois desçam para buscar o irmão.
Aos cristãos que têm muitas bênçãos de Deus na vida, mas sentem, lá no fundo, que não conhecem o Pai. Vocês oram, mas não é conversa. Vocês vão ao culto, mas não é adoração. Vocês leem a Bíblia, mas não é encontro. Vocês recebem as dádivas d'Ele, usam as dádivas d'Ele, vivem das dádivas d'Ele, mas a face d'Ele é uma face desconhecida. Vocês estão onde Jacó esteve vinte anos: usando tudo de Deus, sem desfrutar do Pai. Escutem: o que vocês precisam não é de mais bênçãos. É de Jaboque.
E aos que ainda não conheceram Cristo. Vocês talvez estejam aqui hoje olhando a vida e achando que, porque têm saúde, emprego, família, casa, então Deus está contente. Eu preciso te dizer: bênção material não é prova de aceitação espiritual. Deus dá chuva ao justo e ao injusto (Mateus 5.45). Jacó prosperou vinte anos antes de ser salvo em Jaboque. Você pode estar prosperando há vinte, há quarenta, há sessenta anos, e ainda estar precisando ir ao vau.
E agora, meus irmãos, depois de tudo isto, depois de Jaboque, eu preciso te mostrar a coisa mais bonita desta história.
Voltem comigo para aquela cena da tenda de Isaque. Jacó se aproxima. Isaque o apalpa. E depois do apalpar, o texto diz uma coisa que a gente nem sempre nota:
"Então, chegou-se e o beijou; e, cheirando-lhe as vestes, abençoou-o e disse: Eis que o cheiro de meu filho é como o cheiro do campo, que o Senhor abençoou."
Gênesis 27.27
Isaque sentiu o cheiro. E o cheiro que ele sentiu não era o de Jacó. Era o cheiro das vestes de Esaú, que Rebeca tinha colocado em Jacó. Era um cheiro emprestado. Um cheiro que cobria um corpo que não era dele.
E é aqui, meus irmãos, que o Evangelho desce sobre nós como chuva mansa depois da seca da Lei.
Quando Isaque tocou em Jacó, sentiu o cheiro de Esaú, e foi enganado. Mas quando Deus toca em nós, Ele sente o cheiro de Cristo, e não é enganado. Porque não fomos nós que nos vestimos. Foi Ele. Foi o próprio Deus que, em sua misericórdia eterna, nos vestiu com as vestes do seu Filho amado.
"Todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes." — Gálatas 3.27
"Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, tanto nos que se salvam como nos que se perdem." — 2 Coríntios 2.15
E olhem a diferença entre Jacó e nós. Jacó se vestiu por astúcia, com vestes roubadas, para enganar um pai cego. Nós fomos vestidos por graça, com vestes doadas pelo próprio Pai, para sermos recebidos por Ele com alegria. Jacó cobriu a sua pele lisa com pele de cabrito morto. Nós fomos cobertos pela justiça de um Cordeiro que foi morto por nós.
E por isso, quando Deus se aproxima de um pecador vestido de Cristo, Ele não é enganado. Ele vê o pecador. Ele sabe exatamente quem está ali. Mas o que Ele sente é o cheiro de Cristo. E esse cheiro é aceito. E por causa desse cheiro, o pecador é recebido como filho.
Esta é a doutrina da justificação pela fé. Esta é a diferença entre religião e evangelho. A religião tenta produzir o próprio cheiro para ser aceito por Deus. O evangelho recebe o cheiro de Cristo de graça e é aceito por causa d'Ele.
Jacó fabricou o disfarce. Cristo nos reveste. Jacó enganou. Cristo redime. Jacó saiu da tenda com a bênção e sem o irmão. Nós saímos da cruz com a bênção, com o Irmão mais velho, com o Pai, e com a eternidade.
Meus irmãos, eu termino com isto.
Jacó entrou naquela tenda como ladrão e saiu como fugitivo. A bênção estava na mão dele, mas o Pai não estava no coração dele. Foi preciso vinte anos, uma coxa deslocada e uma noite no escuro para que ele, enfim, conhecesse o Deus que sempre o conheceu.
Eu não quero que você passe vinte anos. Eu não quero que você seja só um abençoado. Eu quero que você seja filho. Eu quero que você use as dádivas de Deus, sim, mas que antes disso, mais do que isso, acima de tudo isso, você conheça o Pai.
Vá a Jaboque hoje. Deixe Deus deslocar o que precisa ser deslocado em você. Confesse quem você é: "Senhor, eu sou Jacó. Eu sou o enganador. Eu sou o que se disfarçou diante de ti." E receba de graça o nome novo que só Cristo pode te dar.
E então, quando Deus se aproximar de você, e te apalpar, Ele vai sentir o cheiro. E o cheiro não vai ser o seu. Vai ser o do Filho amado. E a voz d'Ele vai dizer:
"Vinde, benditos de meu Pai, entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo."
A voz pode ser sua. As mãos podem ser suas. Mas o cheiro, bendito seja Deus, é de Cristo.